BNCC Matemática na Educação Infantil Episodio 15

BNCC | Matemática na Educação Infantil | Objetivo EI02ET07 | Episodio #15

Neste post vamos analisar mais um objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto pela Base Nacional Comum Curricular, a BNCC, para a Educação Infantil, mais especificamente para as chamadas crianças bem pequenas, de 1 ano e 7 meses até 3 anos e 11 meses.

Objetivo EI02ET07

Contar oralmente objetos, pessoas, livros etc., em contextos diversos.
Abordagem das experiências de aprendizagem

As crianças bem pequenas começam a compreender as propriedades essenciais do sistema numérico por meio de suas interações com as pessoas e com os materiais. Em suas explorações sobre os objetos, começam a considerá-los não somente por suas qualidades, mas também suas quantidades, e interessam-se por organizá-los em grupos ou em conjuntos, aproximando-se do conceito de números e de correspondência de um a um. Nesse contexto, é importante que as crianças bem pequenas tenham a oportunidade de brincar com diferentes objetos ou participar de situações nas quais contem coisas, façam correspondências entre números e quantidades, e encontrem os números em contextos sociais reais, como no seu calçado, no telefone e nas brincadeiras de faz de conta, nas quais façam uso de calculadora, régua, fita métrica, teclado de computador etc.
Sugestões para o currículo

Ao formular objetivos de aprendizagem e desenvolvimento específicos para o currículo, é desejável detalhar noções, habilidades, atitudes e/ou especificidades locais para cada um dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento da BNCC. Para as crianças bem pequenas, é possível construir objetivos específicos relacionados à sequência numérica, como, por exemplo, participar de brincadeiras ou rodas de cantigas que envolvam a recitação da sequência numérica. O currículo local pode, ainda, considerar objetivos específicos relacionados à contagem, como, por exemplo, jogar jogos de percurso simples movendo sua peça conforme a quantidade tirada no dado.

Assista ao conteúdo deste post no vídeo a seguir!

O objetivo faz parte campo de experiências:

Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.

O código do objetivo de hoje é EI02ET07 e o descritivo é:

Contar oralmente objetos, pessoas, livros etc., em contextos diversos.

Se você tem acompanhado essa série de posts, talvez já esteja procurando algo nos objetivos que nos remete de forma mais direta à Matemática. Se esse era o seu caso, seus problemas acabaram, porque a contagem numérica tem tudo a ver com a Matemática.

Do jeito que esse objetivo está escrito, eu diria que é ele é extremamente simples e, até mesmo, superficial. Mas por que? Porque contar, por contar, pode ser algo simplesmente decorado, um ato de recitar a sequência.

Muitos pais ficam super felizes e orgulhosos porque o filho de dois ou três anos já sabe contar até mil, por exemplo. Não que isso não seja interessante e curioso, mas a contagem por si só não é de grande utilidade, especialmente se o saber contar ainda não está acompanhado de conhecimentos sobre o sistema de numeração ou sobre a quantificação de objetos.

Como assim? Vou explicar. 

A criança já sabe contar até mil? Será que ela sabe escrever o número mil, ou será que ela sabe escrever qual número vem antes do mil, ou qual vem depois? E mais, se você pedir para uma criança, que já sabe contar até mil, será que ela é capaz de reunir um grupo de, por exemplo, doze ou treze objetos na mão e te dizer quantos objetos há lá?

Pegue uma criança bem pequena, que já sabe contar até dez, seis objetos, e peça que ela conte quantos objetos há ali. Não estranhe se ela contar até dez, nem que para isso ela coloque o dedinho sobre alguns objetos mais de uma vez. Se você é professor ou professora, ou mesmo pai ou mãe de crianças nessa faixa etária, pode ser que já tenha visto isso acontecer. 

Então a criança está errada? Não, de forma alguma, ela apenas está em processo de desenvolvimento. 

E já adianto que não adianta ficar forçando a barra, pedindo para ela contar de novo, olhar mais uma vez, separar os objetos que já foram contados. Não adianta acelerar esse processo, porque a compreensão dessas ideias matemáticas relacionadas a número só vai acontecer mesmo lá dentro da cabecinha da criança, de uma forma muito particular e específica, algo que não é controlável. Mas não ser controlável não significa que não é estimulável. Então, estimule, mas não force a barra, respeite o ritmo da criança.

Por que eu estou falando tudo isso? Para dizer que a contagem não serve para nada? De forma alguma. O que eu quero deixar claro é que a contagem é o início de tudo. Depois da contagem vem o processo de correspondência e, finalmente, vem a capacidade de quantificar objetos. Quando a criança consegue quantificar, aí sim, ela desenvolveu o conceito de número.

Mas, parabéns para você e para o seu filho ou aluno que já sabe contar até mil, mesmo não sabendo ainda quantificar objetos, com certeza ele vai aprender isso e será uma descoberta incrível quando isso acontecer.

Já que a contagem oral não é algo, isoladamente, tão relevante, como esse objetivo pode ser enriquecido? O legal aqui é propor às crianças oportunidades de vivenciar situações em que observam números em diversos contextos, como no teclado digital do celular ou no controle remoto, na numeração dos ônibus, em muitas brincadeiras, nos calçados, na numeração das casas em uma rua, no teclado do computador, nos calendários e por aí vai. 

São muitos contextos.

A ideia é que as crianças percebam que os números fazem parte da vida delas, que estão em todos os lugares, em diferentes situações e contextos, e que são amigos, não mordem e que são muitíssimo importantes.

Também podem ser propostas brincadeiras em que as crianças façam correspondências entre quantidades e números e também entre conjuntos com uma mesma quantidade.

Os jogos de tabuleiro também podem ser aproveitados para que a criança estabeleça relações entre quantidades iguais, representadas de formas distintas. Por exemplo, a criança joga o dado, e lá não vai aparecer o número, mas a quantidade correspondente de bolinhas. E aí, ela precisa mover a pecinha dela conforme a quantidade que aparece no dado.

Eu acrescentaria, como proposta de enriquecimento para o objetivo, que as crianças devem o tempo todo comparar conjuntos, pois assim elas também desenvolverão as ideias de maior, menor, igual, diferente, mais e menos .

E aí, o que você achou desse objetivo de aprendizagem e desenvolvimento?

Grande abraço! Tchau!